Será que apenas a vontade consciente é capaz de fazer alguém amar? Acreditamos que não. Apenas a decisão racional de querer encontrar alguém não é suficiente para possibilitar o encontro. Há pessoas que têm esse desejo, passam anos e anos à procura de alguém, mas não se enamoram e culpam os outros, o ambiente e a falta de sorte por sua solidão.Às vezes, chegam a sentir alguma emoção por alguém, começam a envolver-se, mas, como um relâmpago, o estímulo desaparece. Ou então, encantam-se por alguém e começam a ter a sensação de não ser queridas pelo outro, permanecendo na solidão.
Na realidade, quem não encontra alguém é porque, internamente, não está predisposto a amar. Não está disponível para envolver-se e, erroneamente, pensa que está querendo compartilhar o amor.Quem se acomoda com a solidão dificilmente vai se enamorar porque, para isso, é necessário estar sentindo o incômodo da solidão e ter a percepção realista de que estar só o(a) faz infeliz.É uma visão dialética. Se por um lado é necessária a sensação de incômodo, de falta de algo na vida, para o movimento em direção ao amor, por outro lado é fundamental que se queira crescer no amor e que se confie em si mesmo e na própria capacidade de viver em amor. Só assim, num caminho crescente, depara-se ao mesmo tempo com o desconforto provocado pela consciência da lealdade à solidão e com o impulso de ir ao encontro da felicidade, despertado pela beleza do amor.
Roberto Shiniashiki
(Imagem: Google)
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